Por uma compra consciente

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Imagem: We Heart It

Semana passada, uma série lotou as redes sociais gerando bastante polêmica e levantando discussão sobre um assunto já conhecido: indústria têxtil e condições de trabalho.

A SweetShop – como é nomeada a série – mostra três blogueiros (duas meninas e um menino) noruegueses que foram passar um mês no Camboja e viver a realidade dos trabalhadores locais.

Realidade essa, de uma jornada com 12 horas de trabalho, por 3 dólares dia.

O diretor Joakim Kleven, explicou em entrevista, que seu objetivo com a produção era mostrar de onde vinha as roupas que as pessoas usam.

A série completa possui 5 episódios e está disponível clicando aqui com legendas em inglês e espanhol.

Enfim, provavelmente você deve ter visto esse link na sua timeline e se só viu agora, eu recomendo que assista! Apesar de ter apenas em inglês e espanhol, não é difícil entender.

A polêmica gerada em torno, foi pelo fato do tema ter ficado famoso devido aos blogueiros e também pela “inocência” dos mesmos, que desconheciam ou achavam “não ser tão ruim”, pensamento esse que muda ao longo dos episódios e transforma os participantes.

O objetivo desse post não emitir opiniões sobre os blogueiros e suas atitudes, porque isso muita gente já fez. Mas sim, abordar alternativas para a situação.

Enquanto eu lia sobre o assunto, acabei descobrindo um aplicativo chamado Moda Livre. Ele monitora o envolvimento das marcas de roupas no trabalho escravo. É disponível para Android e IOS e é gratuito.

app-moda-livre
Foto: Reprodução

Ele está todo em português e é fácil de usar. Para realizar esse monitoramento a ONG Repórter Brasil responsável pelo app leva em consideração os seguintes indicadores:

1. Políticas: compromissos assumidos pelas empresas para combater o trabalho escravo em sua cadeia de fornecimento.

2. Monitoramento: medidas adotadas pelas empresas para fiscalizar seus fornecedores de roupa.

3. Transparência: ações tomadas pelas empresas para comunicar a seus clientes o que vêm fazendo para monitorar fornecedores e combater o trabalho escravo.

4. Histórico: resumo do envolvimento das empresas em casos de trabalho escravo, segundo o governo.

Para ser possível visualizar isso no app, foi determinado uma escala de cores: verde/amarelo/vermelho. O verde indica empresas que monitoram sua produção e tem histórico favorável ao tema – não possuem denúncias de trabalho escravo -. A amarela indica que a empresa monita sua cadeia de produção, porém tem denúncias. E a vermelha não possui acompanhamento, possui denúncias ou não responderam ao questionário.

E gente, é assustador a quantidade de marcas em situação irregular! Garanto que com certeza, você deve ter alguma peça em casa da marca listada, seja porque ganhou ou porque você mesmo comprou. Por isso, eu digo, assistam aquela série! Porque nos – eu digo a maioria, não todos – realmente não pensa da onde vem aquilo que compra. Eu mesma, não tinha parado para pensar! Mas creio que nunca é tarde demais para mudar.

As marcas analisadas pelo app, são tanto grifes famosas como as Fast Shops. E dá pra perceber que sendo uma loja de padrão aquisitivo alto ou baixo, em ambas existe ocorrência de trabalho escravo, mostrando que a atitude “não é exclusividade de uma determinada classe”.

Claro que isso não acaba com o problema, seja aqui, seja no país vizinho, ou no Camboja. Mas é uma alternativa. Porque, uma hora ou outra precisaremos comprar. Mas é ai que entra a questão: dá pra fazer uma escolha consciente. Aquela loja que está irregular não vai parar de produzir, mas você pode optar por não consumir o produto dela, e dessa maneira não incentivar essa atitude.

Só a sua escolha, não vai mudar a situação, mas se eu, você e outras pessoas juntas fizermos, podemos sim! Podemos e devemos começar com algo que está ao nosso alcance. Basta quer e sobre tudo, pesquisar.

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